segunda-feira, 5 de abril de 2010

Greve continua


A assembleia de servidores municipais em educação realizada na tarde de hoje, 5 de abril, no Colégio Municipal Marconi, decidiu pela continuação da greve até que a prefeitura resolva negociar a pauta de reivindicações com seriedade.

Em uma votação maciça, mais de dois mil trabalhadores reunidos disseram sim à greve, por entender que a PBH posterga, com o uso da força institucional e outros instrumentos, quaisquer tentativas de negociação. Há mais de um ano, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte - SindRede/BH - vem tentando, sem obter resultados, negociar com a administração municipal.

Várias reuniões foram marcadas (e adiadas ou canceladas unilateralmente pela prefeitura) muito antes da decisão pela greve, que foi a última alternativa de quem deseja, realmente, negociação.

O Comando de Greve marcou nova assembleia da categoria: será no dia 9 de abril, 14h, no Colégio Municipal Marconi.





-*-

NOTA DO
DEPARTAMENTO JURÍDICO
DO SIND-REDE/BH


O Departamento Jurídico do Sind-REDE/BH, desde a notícia da ação judicial proposta pela prefeitura, vem empenhando-se em demonstrar que não são os grevistas os responsáveis pelo impasse junto ao município.

Na verdade a decisão do Exmo. Desembargador Eduardo Andrade é surpreendente, porque determina, a priori, a volta ao trabalho, agravada por pesada multa, sem tecer qualquer consideração sobre a legalidade da greve. Procedimento que impediria, na verdade, o exercício de qualquer direito de greve, legal ou ilegal.

Todas as medidas processuais já estão sendo tomadas para restabelecer a normalidade institucional no exercício do direito constitucional de greve, ao mesmo tempo que vêm sendo feitas diligências junto ao Egrégio Tribunal de Justiça para que se crie naquela Casa, consoante orientação do Supremo Tribunal Federal, um verdadeiro foro de mediação e arbitragem dos conflitos coletivos do trabalho.

O Operário em Construção
(Vinícius de Moraes)




E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.


Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

sexta-feira, 19 de março de 2010

PAUTA
DE
REIVINDICAÇÕES


1. RECOMPOSIÇÃO SALARIAL DE 22,41% PARA TOD@S @S TRABALHADOR@S EM EDUCAÇÃO, DA ATIVA E APOSENTADOS;

2. EQUIPARAÇÃO DA CARREIRA DE EDUCADOR(A) INFANTIL COM A DE PROFESSOR(A) MUNICIPAL;

3. EQUIPARAÇÃO SALARIAL D@S AUXILIARES DE SECRETARIA E BIBLIOTECA COM @S DEMAIS PROFISSIONAIS DE NÍVEL MÉDIO DA PREFEITURA;

4. RECOMPOSIÇÃO SALARIAL D@S CELETISTAS DE ACORDO COM OS ÍNDICES QUE A CATEGORIA TEVE NOS ÚLTIMOS ANOS;

5. PLANO PARA REGULARIZAÇÃO D@S CELETISTAS QUE NÃO FORAM BENEFICIAD@S;

6. PENDÊNCIAS DA PAUTA DE REIVINDICAÇÕES DE 2009 E ANOS ANTERIORES (AINDA NÃO ATENDIDOS PELA PBH).
GREVE GREVE GREVE GREVE
ESTAMOS EM GREVE

De acordo com a apuração feita pelo COMANDO DE GREVE
nesta quinta-feira (18 de março),
temos cerca de 70% da categoria
com braços cruzados.


PARABÉNS CATEGORIA !

Calendário:

19/3, 14h - Ato na Smed contra a política
educacional e exigindo negociação;


20 e 21 de março - Panfletagem nas comunidades;

22 de março, 8h/14h/19h - Regionais de greve

23 de março: 9h - Comando de Greve
14h - Assembleia Geral




quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Resposta do SindRede/BH
aos boletins das Chapas 1 e 3


Para ler na íntegra, em "pdf",
clique sobre a figura



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Jornal da Rede

Clique na imagem
da capa
para ler

SALÁRIO, SIM; ABONO, NÃO !


NOTÍCIAS DO SINDREDE/BH

Calendário da Luta
(clique sobre os cartazes para ver melhor)


Assembleia de Filiados
10 de fevereiro





Seminário
com Representantes de Escola
23 de fevereiro



O CLB é formado por tod@s
@s Auxiliares de Biblioteca.


Há auxiliares que participaram do processo
eleitoral por chapas diversas.


Por ser o CLB um espaço plural, tem a
obrigação democrática de também postar
o comunicado conjunto das Chapas 1 e 3
em resposta ao Jornal do SindRede/BH,
o Jornal da Rede.


Como o arquivo nos foi enviado em formato
"pdf", por enquanto, ao clicar, você terá apenas
a ampliação simples da imagem.


Já pedimos um link aos responsáveis,
a fim de que a leitura possa
ser feita com maior conforto,
à exemplo do Jornal da Rede.


Comunicado conjunto
das chapas 1 e 3



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

AVISO IMPORTANTE

Colegas Auxiliares de Bibliotecas
e demais segmentos da categoria:


Devido às lastimáveis (porém mantidas) agressões covardes e infundadas feitas no post abaixo, a partir de hoje, os comentários não mais serão aceitos de forma anônima.

Todos poderão continuar a comentar. Nosso blog continua sem qualquer espécie de moderação, entretanto comentários, agora, devem ser identificados.

Talvez, assim, evitemos que interessados(as) em desunir e bagunçar nosso segmento caluniem qualquer Auxiliar de Biblioteca.

Bem-vindos(as) a 2010 !

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

COLEGAS

Vale a pena registrar aqui um
comentário feito por "colega anônima"
em relação ao post abaixo.


Tirem suas conclusões.


"Há uma espécie de "tática orgânica tácita" da PBH em empurrar com uma enorme e satisfeita barriga, todas as questões que tangem o interesse d@s trabalhador@s (servidor@s e funcionári@s).

O grau de compromisso (pelo menos uma resposta mais completa, do tipo:
olha... já encaminhamos à Macaé e não houve resposta por parte dela, nem de ninguém, entretanto estamos envolvidos no problema, etc,etc,etc ) daquel@s que puseram-se no que (el@s julgam ser) um escalão com preponderância sobre demais trabalhador@s, é nulo. Afinal, el@s tem que preocupar-se com a manutenção de tão "glorioso" status e não deixar que nada, sequer um questionamento qualquer, ponha em risco tal situação.

Não podem “ABORRECER O PATRÃO”
com questões de somenos imporância, sob risco de perder a “representatividade adulárica”.

A opção de boicotar os "cursos" oferecidos (??) é muito interessante, porém há que se ter cuidado: leiam no estatuto do servidor sobre as obrigações: se for para fazer isto, deve ser feito por tod@s, para que funcione como real meio de pressão. caso contrário, poderá render muitos "processos" na corregedoria.

Com relação ao calendário, estamos sofrendo muito com a "onda áulica" que tomou parte nas escolas. Há absurdos acontecendo e algumas direções parecem esquecer-se de que foram eleitas pela comunidade escolar e que devem representá-la.
Ao contrário disso, põe-se no posto de "pit-bull" do Lacerda, da Macaé e das regionais e de seus gerentes partidarizados, que pouco, ou nada, tem a ver com os interesses dos eleitores: cuidam apenas dos seus próprios interesses, tornando-se experts em retória embromativa para fazer o gado adormecer.

O que antes era acordo, agora temos que pagar. É verdade. Preconceito contra um segmento que também faz parte d@s trabalhador@s em educação. Tal preconceito deve ser combatido à partir da própria cultura escolar - leia-se professor@s, em função, ou não, de coordenação, direção, cargos regionais diretivos, gerenciais e ou smedianos - caso contrário será difícil obter qualquer avanço.

Se há recesso, este deve ser para tod@s. SEM PRECONCEITO. Se professor@s não pagam "semana de outubro", "recessos de festas", etc, tampouco nós devemos aceitar.


A Smed (por conseguinte, a PBH) – achando-se inantigível – tem uma posição soberba e anti-democrática. Muita luta vai rolar, mas, atenção: uma hora vão tr que engolir, amargamente, o que não desejaram negociar e desprezaram. É da vida. Soe acontecer.


A luta pelo calendário, assim como equalização proporcional de salários, carga horária, etc está na pauta de negociações, entretanto, conforme dito lá no começo do comentário, a prefeitura prepara-se, olimpicamente, para o "arremesso de problemas com a barriga", para a "varrição sub-alcatifular" e, finalmente, mas não menos representativo esporte, a "divulgação onírica-eleitoreira daquilo que nunca foi".

São verdadeiramente dign@s representantes do grupo religioso "atletas de satanás".


Para se ter uma ideia, as regionais estão transferindo professor@s (escolhidos à dedo - ou seria à dedadas ? -) com a incumbência e determinação de ser coordenadores(as) de turnos e dominar truculenta e/ou politicamente as escolas – com a concordância de direções submissas e desejosas de seu quinhão nas benesses lacerdianas –, difundindo o neo-petismo-tucanismo-pessebismo-sofismático -surreal-publicitário para destruir a organização coletiva através da força e/ou cooptação. Professor@s excedentes (e anteriormente combativ@s e revoltad@s com a situação), por exemplo, são reincorporados a troco sabe-se lá de quê. Outro exemplo: alunos problemáticos são transferidos para o turno da noite, fazendo uma verdadeira faxina e maquiagem nos turnos da manhã e tarde.

Quem trabalha, notadamente, em escolas próximas às obras do PAC do D (Programa de Aceleração da Candidatura da Dilminha) sabe do que estou falando.


Sobretudo, a PBH quer "fazer a diferença" nessas miseráveis regiões de IDH tendente ao "inferno estatístico" e IDEB concernentemente igual. Mantendo uma crudelíssima e perversa relação de compra de votos. Neo-coronelismo cara-de-pau, não disfarçado.

REUNIÃO URGENTE ! VAMOS TENTAR MOBILIZAR @S AUXILIARES PARA UMA PRESENÇA RESPEITÁVEL !


Acho que nem uma greve específica do segmento está fora de cogitação.

Estou cansada,
MAS NÃO DESISTO !!!!!!!"


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A certeza na frente
A história na mão

Car@s colegas:

Respeitado e prolongado o prazo que nos foi pedido e passados 24 dias de uma reunião de duas horas da comissão de auxiliares com o Programa de bibliotecas/SMED, finalmente recebemos um sinal de vida (ou de morte) por e-mail que transcrevo abaixo Ipsis litteris:

Data: 12 de novembro de 2009 08:33
“Leandro, bom dia.
Ainda não tenho retorno.
Obrigada.
Leila”

O tamanho e o conteúdo (ou melhor, a inexistência dele) da resposta nos diz muito. Há ainda alguma dúvida sobre a falta de respeito com que a SMED trata nosso segmento e o conjunto das nossas reivindicações?

Tudo isso foi pra não dizerem que não falamos de flores e que não tentamos de todas as maneiras possíveis.

Nos resta o único caminho historicamente capaz de forjar mudanças reais e trazer melhorias para os trabalhadores:

Abrirmos novas trincheiras e permanecermos em luta.

Em breve, divulgaremos data para reunião de avaliação desse ano e planejamento das nossas ações para o ano que vem.


Façamos a hora, não esperemos acontecer.

domingo, 8 de novembro de 2009

ELEIÇÕES
SINDREDE/BH


Resultado

Ainda é extra-oficial, mas deverá ser confirmado pela Comissão Eleitoral nesta segunda-feira, tão logo integrantes das três chapas assinem a ata.

VOTOS VÁLIDOS

Mudança na Rede, chapa 1 - 22,79%

Representantes Para
Fortalecer a Categoria, chapa 2 - 51,75%


Travessia, chapa 3 - 25,45%


Parabéns à categoria de trabalhador@s em educação na RMEBH pela bela festa democrática.


Ao trabalho !